8º Encontro
Análise de Extrato de Texto
Neste capítulo realizamos uma incursão pedagógica em busca de estratégias que sustentem a necessidade de um novo paradigma pedagógico há muito tempo advogado por Paulo Freire e sintetizado na Pedagogia da autonomia (Freire, 1999). Mas esta pedagogia se realiza no seu encontro com outro autor, Jean Piaget. Ambos são importantes para desenvolver a proposição de uma pedagogia da incerteza, caracterizada em detalhe na seção seguinte.
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Partimos do pressuposto que o conhecimento não está assentado nas certezas, como propõe a ciência mecanicista, mas sim nasce do movimento, da dúvida, da incerteza, da necessidade da busca de novas alternativas, do debate, da troca. A aprendizagem em rede, não poderá prescindir de ações que possam traduzir as ideias (teorias) em práticas. Ela necessita de expressão em práticas pedagógicas, como a proposta de educação que chamaremos de Pedagogia da Incerteza. Tomando por base as ideias construtivistas de Piaget e a Pedagogia da pergunta de Freire, educar para incerteza implicará em:
Educar para a busca de soluções de problemas reais - o uso da tecnologia deve preparar o próprio professor para viver a experiência de mudanças no ensino que ele irá proporcionar aos seus alunos. O que pretendemos será, então, pensar uma formação a distância, mediada pelas tecnologias, que nos permita discutir e solucionar problemas que tenham significado para os sujeitos, que os aproximem da realidade. A incerteza, as contradições, a indeterminação não são resíduos a serem eliminados, mas elementos constituintes do processo (Schön, 2000).
Educar para transformar informações em conhecimento - se conhecer implica em interpretar, relacionar e comparar informações, não será suficiente oferecer aos sujeitos um ambiente rico em informações, mas sim proporcionar situações que privilegiem a busca de informações e interações significativas para a construção de conhecimento articulado, capaz de romper com os limites disciplinares.
Educar para a autoria, a expressão, a interlocução - as atividades de autoria e expressão, definidas pelo próprio sujeito, permitem que esse possa construir e reinventar seus projetos para receber e para responder a desafios, para manifestar seu mundo interior. Nesse sentido, a interlocução entre sujeitos-autores, reconstrói constantemente os ambientes de aprendizagem, pois sua própria essência está na ideia de transformação.
Educar para a investigação - se o conhecimento pode ser compreendido, conforme Piaget (1985a) como um processo de criação de novidades de descobertas e invenções, uma educação para a incerteza deverá apoiar a atitude investigativa, permitindo que os sujeitos realizem experimentações, simulações em busca de soluções para questões significativas do ponto de vista do sujeito. Essas experimentações, contudo, implicam em interjogo dos recursos internos do sujeito (recursos esses tanto afetivos quanto cognitivos, estéticos, éticos, etc.) com os obejtos do ambiente, com os materiais disponíveis, com as interações com outros sujeitos, etc.
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Educar para a autonomia e a cooperação - a autonomia intelectual implica na palavra ou ação própria, liberando o pensamento do que a tradição ou as ideologias procuram impor. Na educação para a autonomia e a cooperação, as situações de aprendizagem buscarão ativar a discussão de pontos de vista divergentes, em detrimento da pura repetição de ideias e crenças, porém auto-subordinados às regras do respeito mútuo e da cooperação.
Para fazer frente ao desafio de educar para a incerteza, a inovação pedagógica se impõe diante de novas demandas sociais, como é o caso da Educação a Distância. Para tanto, propomos a ideia de arquiteturas pedagógicas.
Arquiteturas Pedagógicas - pressupostos
Arquiteturas pedagógicas são, antes de tudo, estruturas de aprendizagem realizadas a partir da confluência de diferentes componentes:
- abordagem pedagógica;
- software educacional;
- internet;
- inteligência artificial;
- Educação a Distância;
- concepção de tempo e de espaço.
Alteram-se as perspectivas de tempo e espaço para a aprendizagem, porque o conhecimento tem como ponto de partida arquiteturas plásticas. Essas se moldam aos ritmos impostos pelo sujeito que aprende, bem como desterritorializam o conhecimento da sala de aula e da escola como locus de aprendizagem exclusivo e propõem fontes diversas advindas da internet, dos textos, dos pensadores, das comunidades locais e virtuais.
O texto é muito interessante, principalmente no que se refere ao papel do professor. No contexto escolar, é possível ver muitos professores resistindo ao contato com a tecnologia.
Já tinha visto algumas notícias sobre este assunto - Aqui , aqui e aqui.
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